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Profª Eni
Curitiba, Paraná, Brazil
Educadora, com especialização em Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Materna, pela UFPR. Autora do livro de poemas ROSA E ROMÃ, ED. ARTES&TEXTOS. Medalha de Mérito Fernando Amaro em 2007, por destaque literário. Por que o blog? Para integrar saberes, descontruindo o velho e superado paradigma dos eixos tradicionalmente rígidos. Por meio das diferentes tecnologias, buscar uma educação que atenda aos anseios da razão, porém, incluindo a emoção. Somos seres humanos totais, e, nenhum dos aspectos de nossa humanidade, deve ser desprezado na pragmática educacional. Devemos educar também para a compaixão, para a ternura e a solidariedade, tanto quanto o fazemos para o raciocínio lógico e científico.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Intervenção de graffiti marca início das obras do CCBB Belo Horizonte

Intervenção de graffiti marca início das obras do CCBB Belo Horizonte


O início das obras de restauração e adapatação do prédio onde funcionará o Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte foi marcado por uma grande festa entre os cidadãos mineiros. Cerca de 300 alunos das escolas públicas acompanharam a apresentação da Companhia de Circense Trampulim e a intervenção de graffiti nos tapumes que envolvem o canteiro de obras, realizada pelos jovens dos programas Valores de Minas e Fica Vivo!. Para lançar seu quarto centro cultural no pais, o Banco do Brasil esta investindo cerca de R$ 21 milhões no espaço, que soma 12 mil metros quadrados. Ao lado do secretário de Cultura, Paulo Brant, do vice-presidente do Banco do Brasil, Robson Braga, e do superintendente estadual do banco, Tércio Luiz Pascoal, jovens, crianças, artistas e arquitetos, além de servidores do Estado, deram um abraço simbólico no edifício, construído em 1926.


“Vai ser um grande marco para Belo Horizonte. A capital precisa ser o pólo cultural de Minas, que ainda não é. Então, acho que esse circuito pode ser o veículo de transformação de Belo Horizonte na grande porta de entrada da cultura de Minas Gerais. Agora ele está ganhando concretude, e os impactos já começam a se fazer sentir”, afirmou Brant em referência ao "Circuito Cultural Praça da Liberdade", dentro do qual esta integrado o projeto. O CCBB Belo Horizonte terá teatro com espaço para 300 lugares, seis salas de exposição, cafeteria, sala de programa educativo, sala multimeios, loja de produtos culturais e área administrativa, se posicionando entre um dos maiores do Brasil. O espaço tem carater multidisciplinar e oferecem programação regular com foco na qualidade, diversidade, a preços acessíveis, dirigida a todos os segmentos da sociedade.


Na ocasião, o superintendente estadual do Banco do Brasil, Tércio Luiz Pascoal, salientou que o Centro Cultural colocará a capital mineira no circuito internacional de cultura. Segundo ele, todo o espaço será concluído em 2011, mas em março do próximo ano, algumas atividades já poderão ser realizadas no local. O projeto de restauração arquitetônica e artística será de responsabilidade do arquiteto Flávio Grillo, sendo o projeto arquitetônico assinado por Eneida Bretas e Jayme Wesley de Lima. As obras ainda serão acompanhadas pelo Iepha-MG. “Quando ele estiver em pleno funcionamento, vamos colocar Belo Horizonte e Minas Gerais no circuito cultural internacional. Assim como já existem hoje centros culturais do Banco do Brasil em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília. E Minas, por ter uma peculiaridade muito forte na questão de cultura, vai se tornar o maior, o centro cultural mais importante do Brasil. Não só shows, mas exposições, mostras, artes plásticas, sessão de teatro, cinema, ou seja, é todo um aspecto de informação cultural em disponibilização para a sociedade mineira”, disse.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Jovens universitários mineiros participam de curso de Tecnologia da Informação em Cingapura

Iniciativa do Governo Estadual de Minas Gerais contempla alunos de
Universidades Federais do estado

Cingapura, localizada no sudeste asiático, tem se tornado um
importante pólo de disseminação de know-how em tecnologia a partir da
aliança entre os setores privado e público, que resultaram em
programas como o “Intelligent Nation 2015”, um plano nacional de
desenvolvimento desenhado para incorporar a Tecnologia da Informação
no cotidiano dos cidadãos do pais, proporcionando novas perspectivas
de negócios e benefícios ao capital humano.

Desde o ultimo domingo (19), 20 jovens universitários mineiros
embarcaram para um intercâmbio cultural com destino a este país que é
um dos Tigres Asiáticos, por meio do Programa Jovens Mineiros Cidadãos
do Mundo, que visa incluir na sociedade mundial estudantes das
universidades federais do estado. Os estudantes participaram do curso
de capacitação em Tecnologia da Informação na Republic Polytechnic,
instituição selecionada pelo Governo de Minas Gerais.

Com duração de um mês, a capacitação será dividida em seis módulos:
Compreendendo a Especificidade do Sistema e Estrutura Governamental de
Cingapura; Imersão e Visitas Técnicas; Android, a Próxima Geração de
Sistema Operacional para Dispositivos Móveis; Cloud Computing com
Google App Engine; Imersão e Discussões em Grupos Focais; e
Intercâmbio Cultural e Adventure Learning.

Ao retornarem ao Brasil, os alunos ainda compartilharão a experiência
adquirida, apresentando um seminário. “Eles também devem lançar
possibilidades de ação do governo de Minas em Cingapura: na importação
de investimentos, no desenvolvimento de novos produtos ou de um
diálogo mais específico”, relata a superintendente de Relações
Internacionais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Chyara
Pereira. “Mas, independentemente disso, eles serão melhor capacitados
e criaremos oportunidades para que sejam absorvidos pelo mercado de
trabalho”.

Os estudantes são de três diferentes instituições mineiras
(Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG), de Uberlândia (UFU) e
dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). A seleção foi realizada
pelas próprias universidades por meio de entrevistas e análises das
notas – a fluência no inglês e o bom rendimento curricular nas
matérias oferecidas pelo curso são os principais quesitos
analisados.

O governo mineiro já prevê outras ações por meio do Programa. Ainda em
2009 a expectativa é de que outro grupo de estudantes seja enviado
para o exterior, desta vez tendo a China como destino. Para aumentar a
capacidade de abrangência da ação nos próximos anos também estão sendo
feitas consultas com o Japão, a França, a Austrália, a África do Sul e
o Canadá, que devem receber os jovens em seus principais institutos
tecnológicos.

sábado, 18 de julho de 2009

Campanha do Agasalho 2009

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Programa de Educação Profissional capacitará cerca de 25 mil jovens e adultos mineiros

Para atender a crescente demanda dos jovens e adultos mineiros por melhores oportunidades de formação profissional técnica gratuita e, consequentemente, ao mercado de trabalho, uma nova modalidade do Programa de Educação Profissional foi implementada. Nesta nova etapa de construção do conhecimento, o Governo de Minas Gerais oferecerá cerca de 100 mil vagas em 77 cursos de Educação Profissional em 277 municípios do estado.
Desde sua criação (2008) o PEP já ofereceu 79 mil vagas destinadas a alunos do 2° e 3° anos do ensino médio da rede estadual e a estudantes com o ensino médio completo. A partir de agosto, atenderá também os estudantes do Curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os cursos técnicos são de Administração Empresarial, Gestão de Pequenas Empresas e Secretariado e Assessoria.
Já a metodologia utilizada será a do Telecurso Tec, que consiste em 145 programas para cada um dos cursos. A proposta é de que o aluno seja o protagonista do processo do conhecimento por meio da observação, reflexão e discussão dos conceitos trabalhados em sala junto com seu orientador. Neste caso, o orientador é um educador que troca experiências e recebe apoio pedagógico permanente nos encontros presenciais de formação e no ambiente virtual.
Para usar essa tecnologia, as escolas receberam computadores e aparelhos de TV e DVD, fruto de um investimento de R$ 12,7 milhões do Governo do Estado de Minas Gerais em infraestrutura e capital humano. A primeira reunião técnica aconteceu no último dia 14, em Belo Horizonte. O evento contou com a presença de 479 diretores das escolas envolvidas, diretores e técnicos das superintendências regionais de ensino e da Secretaria de Estado de Educação para discutir como será o desenvolvimento do programa e o treinamento dos professores.



quinta-feira, 16 de julho de 2009

Os Sete Saberes Necessários à Educação Do Futuro

UNESCO – Edgar Morin

Introdução

Os sete saberes necessários à educação do futuro não têm nenhum programa educativo,
escolar ou universitário. Aliás, não estão concentrados no primário, nem no secundário,
nem no ensino universitário, mas abordam problemas específicos para cada um desses
níveis. Eles dizem respeito aos setes buracos negros da educação, completamente
ignorados, subestimados ou fragmentados nos programas educativos. Programas esses
que, na minha opinião, devem ser colocados no centro das preocupações sobre a
formação dos jovens, futuros cidadãos.
O Conhecimento
O primeiro buraco negro diz respeito ao conhecimento. Naturalmente, o ensino fornece
conhecimento, fornece saberes. Porém, apesar de sua fundamental importância, nunca
se ensina o que é, de fato, o conhecimento. E sabemos que os maiores problemas neste
caso são o erro e a ilusão.
Ao examinarmos as crenças do passado, concluímos que a maioria contém erros e
ilusões. Mesmo quando pensamos em vinte anos atrás, podemos constatar como
erramos e nos iludimos sobre o mundo e a realidade. E por que isso é tão importante?
Porque o conhecimento nunca é um reflexo ou espelho da realidade. O conhecimento é
sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução. Mesmo no fenômeno da percepção,
através do qual os olhos recebem estímulos luminosos que são transformados,
decodificados, transportados a um outro código, que transita pelo nervo ótico, atravessa
várias partes do cérebro para, enfim, transformar aquela informação primeira em
percepção. A partir deste exemplo, podemos concluir que a percepção é uma
reconstrução.
Tomemos um outro exemplo de percepção constante: a imagem do ponto de vista da
retina. As pessoas que estão próximas parecem muito maiores do que aquelas que estão
mais distantes, pois à distância, o cérebro não realiza o registro e termina por atribuir
uma dimensão idêntica para todas as pessoas. Assim como os raios ultravioletas e
infravermelhos que nós não vemos, mas sabemos que estão aí e nos impõem uma visão
segundo as suas incidências. Portanto, temos percepções, ou seja, reconstruções,
traduções da realidade. E toda tradução comporta o risco de erro. Como dizem os
italianos "tradotore/traditore".
Também sabemos que não há nenhuma diferença intrínseca entre uma percepção e uma
alucinação. Por exemplo: se tenho uma alucinação e vejo Napoleão ou Júlio César, não
há nada que me diga que estou enganado, exceto o fato de saber que eles estão mortos.
São os outros que vão me dizer se o que vejo é verdade ou não. Quero dizer com isso
que estamos sempre ameaçados pela alucinação. Até nos processos de leitura isto
acontece. Nós sabemos que não seguimos a linha do que está escrito, pois, às vezes,
nossos olhos saltam de uma palavra para outra e reconstroem o conjunto de uma
maneira quase alucinatória. Neste momento, é o nosso espírito que colabora com o que
nós lemos. E não reconhecemos os erros porque deslizamos neles. O mesmo acontece,
por exemplo, quando há um acidente de carro. As versões e as visões do acidente são
completamente diferentes, principalmente pela emoção e pelo fato das pessoas estarem
em ângulos diferentes.
No plano histórico há erros, se me permitem o jogo de palavras, histéricos. Tomemos
um exemplo um pouco distante de nós: os debates sobre a Primeira Guerra
Mundial.Uma época em que a França e a Alemanha tinham partidos socialistas fortes,
potentes e muito pacifistas, e que, evidentemente, eram contrários à guerra que se
anunciava. Mas, a partir do momento em que se desencadeou a guerra, os dois partidos
se lançaram, massivamente a uma campanha de propaganda, cada um imputando ao
outro os atos mais ignóbeis. Isto durou até o fim da guerra. Hoje, podemos constatar
com os eventos trágicos do Oriente Médio a mesma maneira de tratar a informação.
Cada um prefere camuflar a parte que lhe é desvantajosa para colocar em relevo a parte
criminosa do outro.
Este problema se apresenta de uma maneira perceptível e muito evidente, porque as
traduções e as reconstruções são também um risco de erro e muitas vezes o maior erro é
pensar que a idéia é a realidade. E tomar a idéia como algo real é confundir o mapa com
o terreno.
Outras causas de erro são as diferenças culturais, sociais e de origem. Cada um pensa
que suas idéias são as mais evidentes e esse pensamento leva a idéias normativas.
Aquelas que não estão dentro desta norma, que não são consideradas normais, são
julgadas como um desvio patológico e são taxadas como ridículas. Isso não ocorre
somente no domínio das grandes religiões ou das ideologias políticas, mas também das
ciências. Quando Watson e Crick decodificaram a estrutura do código genético, o DNA
(ácido desoxirribonucléico), surpreenderam e escandalizaram a maioria dos biólogos,
que jamais imaginavam que isto poderia ser transcrito em moléculas químicas. Foi
preciso muito tempo para que essas idéias pudessem ser aceitas.
Na realidade, as idéias adquirem consistência como os deuses nas religiões. É algo que
nos envolve e nos domina a ponto de nos levar a matar ou morrer. Lenin dizia: "os fatos
são teimosos, mas, na realidade, as idéias são ainda mais teimosas do que os fatos e
resistem aos fatos durante muito tempo". Portanto, o problema do conhecimento não
deve ser um problema restrito aos filósofos. É um problema de todos e cada um deve
levá-lo em conta desde muito cedo e explorar as possibilidades de erro para ter
condições de ver a realidade, porque não existe receita milagrosa.
O Conhecimento Pertinente
O segundo buraco negro é que não ensinamos as condições de um conhecimento
pertinente, isto é, de um conhecimento que não mutila o seu objeto. Nós seguimos, em
primeiro lugar, um mundo formado pelo ensino disciplinar. É evidente que as
disciplinas de toda ordem ajudaram o avanço do conhecimento e são insubstituíveis. O
que existe entre as disciplinas é invisível e as conexões entre elas também são
invisíveis. Mas isto não significa que seja necessário conhecer somente uma parte da
realidade. É preciso ter uma visão capaz de situar o conjunto. É necessário dizer que não
é a quantidade de informações, nem a sofisticação em Matemática que podem dar
sozinhas um conhecimento pertinente, mas sim a capacidade de colocar o conhecimento
no contexto.
A economia, que é das ciências humanas, a mais avançada, a mais sofisticada, tem um
poder muito fraco e erra muitas vezes nas suas previsões, porque está ensinando de
modo a privilegiar o cálculo. Com isso, acaba esquecendo os aspectos humanos, como o
sentimento, a paixão, o desejo, o temor, o medo. Quando há um problema na bolsa,
quando as ações despencam, aparece um fator totalmente irracional que é o pânico, e
que, freqüentemente, faz com que o fator econômico tenha a ver com o humano,
ligando-se, assim, à sociedade, à psicologia, à mitologia. Essa realidade social é
multidimensional e o econômico é apenas uma dimensão dessa sociedade. Por isso, é
necessário contextualizar todos os dados.
Se não houver, por exemplo, a contextualização dos conhecimentos históricos e
geográficos, cada vez que aparecer um acontecimento novo que nos fizer descobrir uma
região desconhecida, como o Kosovo, o Timor ou a Serra Leoa, não entenderemos nada.
Portanto, o ensino por disciplina, fragmentado e dividido, impede a capacidade natural
que o espírito tem de contextualizar. E é essa capacidade que deve ser estimulada e
desenvolvida pelo ensino, a de ligar as partes ao todo e o todo às partes. Pascal dizia, já
no século XVII: "não se pode conhecer as partes sem conhecer o todo, nem conhecer o
todo sem conhecer as partes".
O contexto tem necessidade, ele mesmo, de seu próprio contexto. E o conhecimento,
atualmente, deve se referir ao global. Os acidentes locais têm repercussão sobre o
conjunto e as ações do conjunto sobre os acidentes locais. Isso foi comprovado depois
da guerra do Iraque, da guerra da Iugoslávia e, atualmente, pode ser verificado com o
conflito do Oriente Médio.
A Identidade Humana
O terceiro aspecto é a identidade humana. É curioso que nossa identidade seja
completamente ignorada pelos programas de instrução. Podemos perceber alguns
aspectos do homem biológico em Biologia, alguns aspectos psicológicos em Psicologia,
mas a realidade humana é indecifrável. Somos indivíduos de uma sociedade e fazemos
parte de uma espécie. Mas, ao mesmo tempo em que fazemos parte de uma sociedade,
temos a sociedade como parte de nós, pois desde o nosso nascimento a cultura nos
imprime. Nós somos de uma espécie, mas ao mesmo tempo a espécie é em nós e
depende de nós. Se nos recusamos a nos relacionar sexualmente com um parceiro de
outro sexo, acabamos com a espécie. Portanto, o relacionamento entre indivíduosociedade-
espécie é como a trindade divina, um dos termos gera o outro e um se
encontra no outro. A realidade humana é trinitária.
Eu acredito ser possível a convergência entre todas as ciências e a identidade humana.
Um certo número de agrupamentos disciplinares vai favorecer esta convergência. É
necessário reconhecer que, na segunda metade do século XX, houve uma revolução
científica, reagrupando as disciplinas em ciências pluridisciplinares. Assim, há a
cosmologia, as ciências da terra, a ecologia e a pré-história.
Por outro lado, as ciências da terra nos inscrevem neste planeta formado por fragmentos
cósmicos, resultados de uma explosão de sóis anteriores. Resta saber como estes
fragmentos reunidos e aglomerados puderam criar uma tal organização, uma autoorganização,
para nos dar este planeta. É necessário mostrar que ele gerou a vida, e a
nós somos, filhos da vida. A biologia, com a teoria da evolução, nos prova como
trazemos dentro de nós, efetivamente, o processo de desenvolvimento da primeira célula
vivente, que se multiplicou e se diversificou.
Quando sonhamos com nossa identidade, devemos pensar que temos partículas que
nasceram no despertar do universo. Temos átomos de carbono que se formaram em sóis
anteriores ao nosso, pelo encontro de três núcleos de hélio que se constituíram em
moléculas e neuromoléculas na terra. Somos todos filhos do cosmos, mas nos
transformamos em estranhos através de nosso conhecimento e de nossa cultura.
Portanto, é preciso ensinar a unidade dos três destinos, porque somos indivíduos, mas
como indivíduos somos, cada um, um fragmento da sociedade e da espécie Homo
sapiens, à qual pertencemos. E o importante é que somos uma parte da sociedade, uma
parte da espécie, seres desenvolvidos sem os quais a sociedade não existe. A sociedade
só vive com essas interações.
É importante, também, mostrar que, ao mesmo tempo em que o ser humano é múltiplo,
ele é parte de uma unidade. Sua estrutura mental faz parte da complexidade humana.
Portanto, ou vemos a unidade do gênero e esquecemos a diversidade das culturas e dos
indivíduos, ou vemos a diversidade das culturas e não vemos a unidade do ser humano.
Esse problema vem causando polêmicas desde o século XVIII, quando Voltaire disse:
"os chineses são iguais a nós, têm paixões, choram". E Herbart, o pensador alemão,
afirmou: "entre uma cultura e outra não há comunicação, os seres são diferentes". Os
dois tinham razão, mas na realidade essas duas verdades têm que ser articuladas. Nós
temos os elementos genéticos da nossa diversidade e, é claro, os elementos culturais da
nossa diversidade.
É preciso lembrar que rir, chorar, sorrir, não são atos aprendidos ao longo da educação,
são inatos, mas modulados de acordo com a educação. Heigerfeld fez uma observação
sobre uma jovem surda-muda de nascença que ria, chorava e sorria. Atualmente,
estudos demonstram que o feto começa a sorrir no ventre da mãe. Talvez porque não
saiba o que o espera depois... Mas isso nos permite entender a nossa realidade, nossa
diversidade e singularidade.
Chegamos, então, ao ensino da literatura e da poesia. Elas não devem ser consideradas
como secundárias e não essenciais. A literatura é para os adolescentes uma escola de
vida e um meio para se adquirir conhecimentos. As ciências sociais vêem categorias e
não indivíduos sujeitos a emoções, paixões e desejos. A literatura, ao contrário, como
nos grandes romances de Tolstoi, aborda o meio social, o familiar, o histórico e o
concreto das relações humanas com uma força extraordinária. Podemos dizer que as
telenovelas também nos falam sobre problemas fundamentais do homem; o amor, a
morte, a doença, o ciúme, a ambição, o dinheiro. Temos que entender que todos esses
elementos são necessários para entender que a vida não é aprendida somente nas
ciências formais. E a literatura tem a vantagem de refletir sobre a complexidade do ser
humano e sobre a quantidade incrível de seus sonhos.
Podemos, então, compreender a complexidade humana através da literatura. A poesia
nos ensina a qualidade poética da vida, essa qualidade que nós sentimos diante de fatos
da realidade. Como, por exemplo, os espetáculos da natureza: o céu de Brasília que é
tão bonito. A vida não deve ser uma prosa que se faça por obrigação. A vida é viver
poeticamente na paixão, no entusiasmo.
Para que isso aconteça, devemos fazer convergir todas as disciplinas conhecidas para a
identidade e para a condição humana, ressaltando a noção de homo sapiens; o homem
racional e fazedor de ferramentas, que é, ao mesmo tempo, louco e está entre o delírio e
o equilíbrio, nesse mundo de paixões em que o amor é o cúmulo da loucura e da
sabedoria.
O homem não se define somente pelo trabalho, mas também pelo jogo. Não só as
crianças, como também os adultos gostam de jogar. Por isso vemos partidas de futebol.
Nós somos Homo ludens, além de Homo economicus. Não vivemos só em função do
interesse econômico. Há, também, o homo mitologicus, isto é, vivemos em função de
mitos e crenças. Enfim o homem é prosaico e poético. Como dizia Hölderling: "O
homem habita poeticamente na terra, mas também prosaicamente e se a prosa não
existisse, não poderíamos desfrutar da poesia".
A Compreensão Humana
O quarto aspecto é sobre a compreensão humana. Nunca se ensina sobre como
compreender uns aos outros, como compreender nossos vizinhos, nossos parentes,
nossos pais. O que significa compreender?
A palavra compreender vem do latim, compreendere, que quer dizer: colocar junto
todos os elementos de explicação, ou seja, não ter somente um elemento de explicação,
mas diversos. Mas a compreensão humana vai além disso, porque, na realidade, ela
comporta uma parte de empatia e identificação. O que faz com que se compreenda
alguém que chora, por exemplo, não é analisar as lágrimas no microscópio, mas saber o
significado da dor, da emoção. Por isso, é preciso compreender a compaixão, que
significa sofrer junto. É isto que permite a verdadeira comunicação humana.
A grande inimiga da compreensão é a falta de preocupação em ensiná-la. Na realidade,
isto está se agravando, já que o individualismo ganha um espaço cada vez maior.
Estamos vivendo numa sociedade individualista, que favorece o sentido de
responsabilidade individual, que desenvolve o egocentrismo, o egoísmo e que,
consequentemente, alimenta a autojustificação e a rejeição ao próximo. A redução do
outro, a visão unilateral e a falta de percepção sobre a complexidade humana são os
grandes empecilhos da compreensão. Outro aspecto da incompreensão é a indiferença.
E, por este lado, é interessante abordar o cinema, que os intelectuais tanto acusam de
alienante. Na verdade, o cinema é uma arte que nos ensina a superar a indiferença, pois
transforma em heróis os invisíveis sociais, ensinando-nos a vê-los por um outro prisma.
Charlie Chaplin, por exemplo, sensibilizou platéias inteiras com o personagem do
vagabundo. Outro exemplo é Coppola, que popularizou os chefes da Máfia com "O
Chefão". No teatro, temos a complexidade dos personagens de Shakspeare: reis,
gangsters, assassinos e ditadores. No cinema, como na filosofia de Heráclito:
"Despertados, eles dormem". Estamos adormecidos, apesar de despertos, pois diante da
realidade tão complexa, mal percebemos o que se passa ao nosso redor.
Por isso, é importante este quarto ponto: compreender não só os outros como a si
mesmo, a necessidade de se auto-examinar, de analisar a autojustificação, pois o mundo
está cada vez mais devastado pela incompreensão, que é o câncer do relacionamento
entre os seres humanos.
A Incerteza
O quinto aspecto é a incerteza. Apesar de, nas escolas, ensinar-se somente as certezas,
como a gravitação de Newton e o eletromagnetismo, atualmente a ciência tem
abandonado determinados elementos mecânicos para assimilar o jogo entre certeza e
incerteza, da micro-física às ciências humanas. É necessário mostrar em todos os
domínios, sobretudo na história, o surgimento do inesperado. Eurípides dizia no fim de
três de suas tragédias que: "os deuses nos causam grandes surpresas, não é o esperado
que chega e sim o inesperado que nos acontece". É a velha idéia de 2.500 anos, que nós
esquecemos sempre.
As ciências mantêm diálogos entre dados hipotéticos e outros dados que parecem mais
prováveis. Os processos físicos, assim como outros também, pressupõem variações que
nos levam à desordem caótica ou à criação de uma nova organização, como nas teorias
sobre a incerteza de Prigogine, baseadas nos exemplos dos turbilhões de Born.
Analisando retroativamente a história da vida, constata-se que ela não foi linear, que
não teve uma evolução de baixo para cima. A evolução segundo Darwin foi uma
evolução composta de ramificações, a exemplo do mundo vegetal e o mundo animal. O
homem vem de uma dessas ramificações e conseguiu chegar à consciência e à
inteligência, mas não somos a meta da evolução, fazemos parte desse processo. A
história da vida foi, na verdade, marcada por catástrofes.
As duas guerras mundiais destruíram muito na primeira metade do século XX. Três
grandes impérios da época, por exemplo, o romano-otomano, o austro-húngaro e o
soviético, desapareceram.
Isto nos demonstra a necessidade de ensinar o que chamamos de ecologia da ação: a
atitude que se toma quando uma ação é desencadeada e escapa ao desejo e às intenções
daquele que a provocou, desencadeando influências múltiplas que podem desviá-la até
para o sentido oposto ao intencionado.
A história humana está repleta de exemplos dessa natureza. O mais evidente no final do
século XX foi o projeto político de Gorbatchev, que pretendeu reformar o sistema
político da União Soviética, mas acabou provocando o começo de sua própria
desagregação e implosão.
Assim tem acontecido em todas as etapas da história. O inesperado aconteceu e
acontecerá, porque não temos futuro e não temos certeza nenhuma do futuro. As
previsões não foram concretizadas, não existe determinismo do progresso. Os espíritos,
portanto, têm que ser fortes e armados para enfrentarem essa incerteza e não se
desencorajarem.
Essa incerteza é uma incitação à coragem. A aventura humana não é previsível, mas o
imprevisto não é totalmente desconhecido. Somente agora se admite que não se conhece
o destino da aventura humana. É necessário tomar consciência de que as futuras
decisões devem ser tomadas contando com o risco do erro e estabelecer estratégias que
possam ser corrigidas no processo da ação, a partir dos imprevistos e das informações
que se tem.
A Condição Planetária
O sexto aspecto é a condição planetária, sobretudo na era da globalização no século XX
– que começou, na verdade no século XVI com a colonização da América e a
interligação de toda a humanidade. Esse fenômeno que estamos vivendo hoje, em que
tudo está conectado, é um outro aspecto que o ensino ainda não tocou, assim como o
planeta e seus problemas, a aceleração histórica, a quantidade de informação que não
conseguimos processar e organizar.
Este ponto é importante porque existe, neste momento, um destino comum para todos os
seres humanos. O crescimento da ameaça letal se expande em vez de diminuir: a
ameaça nuclear, a ameaça ecológica, a degradação da vida planetária. Ainda que haja
uma tomada de consciência de todos esses problemas, ela é tímida e não conduziu ainda
a nenhuma decisão efetiva. Por isso, faz-se urgente a construção de uma consciência
planetária.
É necessária uma certa distância em relação ao imediato para podermos compreendê-lo.
E, atualmente, dada a aceleração e a complexidade do mundo, é quase impossível. Mas,
faz-se necessário ressaltar, é esta a dificuldade. É necessário ensinar que não é
suficiente reduzir a um só a complexidade dos problemas importantes do planeta, como
a demografia, ou a escassez de alimentos, ou a bomba atômica, ou a ecologia. Os
problemas estão todos amarrados uns aos outros.
Daqui para frente, existem, sobretudo, os perigos de vida e morte para a humanidade,
como a ameaça da arma nuclear, como a ameaça ecológica, como o desencadeamento
dos nacionalismos acentuados pelas religiões. É preciso mostrar que a humanidade vive
agora uma comunidade de destino comum.
A Antropo-ética
O último aspecto é o que vou chamar de antropo-ético, porque os problemas da moral e
da ética diferem a depender da cultura e da natureza humana. Existe um aspecto
individual, outro social e outro genético, diria de espécie. Algo como uma trindade em
que as terminações são ligadas: a antropo-ética. Cabe ao ser humano desenvolver, ao
mesmo tempo, a ética e a autonomia pessoal (as nossas responsabilidades pessoais),
além de desenvolver a participação social (as responsabilidades sociais), ou seja, a nossa
participação no gênero humano, pois compartilhamos um destino comum.
A antropo-ética tem um lado social que não tem sentido se não for na democracia,
porque a democracia permite uma relação indivíduo-sociedade e nela o cidadão deve se
sentir solidário e responsável. A democracia permite aos cidadãos exercerem suas
responsabilidades através do voto. Somente assim é possível fazer com que o poder
circule, de forma que aquele que foi uma vez controlado, terá a chance de controlar.
Porque a democracia é, por princípio, um exercício de controle.
Não existe, evidentemente, democracia absoluta. Ela é sempre incompleta. Mas
sabemos que vivemos em uma época de regressão democrática, pois o poder
tecnológico agrava cada vez mais os problemas econômicos. Na verdade, é importante
orientar e guiar essa tomada de consciência social que leva à cidadania, para que o
indivíduo possa exercer sua responsabilidade.
Por outro lado, a ética do ser humano está se desenvolvendo através das associações
não-governamentais, como os Médicos Sem Fronteiras, o Greenpeace, a Aliança pelo
Mundo Solidário e tantas outras que trabalham acima de entidades religiosas, políticas
ou de Estados nacionais, assistindo aos países ou às nações que estão sendo ameaçadas
ou em graves conflitos. Devemos conscientizar a todos sobre essas causas tão
importantes, pois estamos falando do destino da humanidade.
Seremos capazes de civilizar a terra e fazer com que ela se torne uma verdadeira pátria?
Estes são os sete saberes necessários ao ensino. E não digo isso para modificar
programas. Na minha opinião, não temos que destruir disciplinas, mas sim integrá-las,
reuni-las em uma ciência como, por exemplo, as ciências da terra (a sismologia, a
vulcanologia, a meteorologia), todas elas articuladas em uma concepção sistêmica da
terra.
Penso que tudo deva estar integrado para permitir uma mudança de pensamento; para
que se transforme a concepção fragmentada e dividida do mundo, que impede a visão
total da realidade. Essa visão fragmentada faz com que os problemas permaneçam
invisíveis para muitos, principalmente para muitos governantes.
E hoje que o planeta já está, ao mesmo tempo, unido e fragmentado, começa a se
desenvolver uma ética do gênero humano, para que possamos superar esse estado de
caos e começar, talvez, a civilizar a terra.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS, UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO

Miriam Duailibi*

Já não existem mais dúvidas no âmbito científico e político que o Aquecimento
Global em curso, é conseqüência do extraordinário acumulo de Gases de
Efeito Estufa (gás carbônico, metano e óxido nitroso, entre outros) emitidos
pela humanidade nos últimos 150 anos. Emissão esta que é conseqüência
direta do modelo civilizatório adotado, em especial, pelos países mais
desenvolvidos.
O Aquecimento Global é cumulativo, complexo e abrangente e já causa
impactos significativos no clima, como o aumento de 0.8º Celsius na
temperatura média da Terra, o aumento no volume e na intensidade das
chuvas, os longos períodos de estiagem, a maior freqüência de furacões e
ciclones, as temperaturas extremas, entre outros fenômenos, demonstrando
que, de uma forma ou de outra, em maior ou menor escala, suas
conseqüências afetarão todos em todos os lugares.
O último relatório do IPCC (Painel Internacional para as Mudanças do Clima)
aponta, a continuar neste nível de emissões, para uma subida de temperatura
média da Terra entre 1.8º e 6 º Celsius nos próximos 50 anos. O cenário mais
otimista apresentado recomenda um aumento médio da temperatura global
abaixo dos 2º Celsius – o que implicaria em um corte de 50% nas emissões de
gases do efeito estufa até 2050 em relação aos níveis de 1990.
O relatório Stern, lançado em 2006, pelo economista chefe do governo
britânico, chama a atenção do mundo para os custos das mudanças climáticas,
apontando que se nada for feito, os prejuízos podem chegar a custar até 20%
do PIB mundial, enquanto que se medidas sérias forem tomadas desde já,
estes custos não ultrapassariam 3% do PIB mundial em 20 anos.
Em todo o Planeta cientistas e governantes debruçam-se em busca de novas
tecnologias menos emissoras ao mesmo tempo em que se trabalha na
pesquisa de alternativas de captura e armazenamento geológico de carbono
(CCS).
Os estudos têm demonstrado que, dada a gravidade e dimensão do problema,
medidas de diversas naturezas precisam ser tomadas concomitantemente.
Um dos aspectos mais preocupantes refere-se à deterioração, cada vez maior,
dos sumidouros naturais. O desmatamento, as queimadas e as técnicas
agrícolas convencionais, além de serem responsáveis por grande parte das
emissões, (representam 75% das emissões brasileiras), destroem também a
possibilidade do solo e das florestas seqüestrarem e manterem o estoque
destes gases.
No entanto, já é senso comum entre os estudiosos do assunto que somente a
mudança para tecnologias mais limpas e o aumento do seqüestro dos gases de
efeito estufa, não serão capaz de reverter o Aquecimento Global, cujo caráter
cumulativo exigiria 200 anos de emissão zero, se isto fosse possível, para que
a natureza pudesse absorver os GEE hoje existentes na atmosfera terrestre.
É, pois, necessário e urgente pensar em como os seres humanos vão adaptar
suas estruturas físicas, seu modo de produção, de locomoção, seu modo de
viver, às novas condições climáticas que já se apresentam.
Este processo, chamado de adaptabilidade, já é foco de preocupação e
estudos de pesquisadores e governos em todo o mundo. Há países que já se
preparam para enfrentar, por exemplo, a subida do nível dos mares,
adequando suas cidades, construindo diques, rotas de fuga etc. A adaptação
genética das culturas agrícolas está em pauta nos maiores centros de pesquisa
do mundo, inclusive nos brasileiros, que buscam espécies mais resistentes à
seca e ao calor, dos alimentos que formam a base de nutrição em nosso país.
Entretanto, pouco ainda tem sido discutido quanto à prevenção das ameaças à
saúde pública que o aquecimento global pode significar, com a migração de
vetores de doenças tropicais para países tradicionalmente de clima temperado;
tampouco está se debatendo como será feita a preparação dos países para
combater as doenças infecto contagiosas causadas pela contaminação dos
recursos hídricos e pelo comprometimento da rede de esgotos em caso de
enchentes de maior gravidade.
O mundo ainda não parece estar se preparando seriamente para lidar com a
temática das migrações climáticas e suas dramáticas conseqüências como o
superpovoamento, a favelização, as epidemias e a violência urbana.
O que mais nos chama a atenção é que a discussão da adaptabilidade ainda
esta restrita à academias, governos e grande empresas, especialmente nos
países centrais. Em grande parte do mundo, a maioria das pessoas sequer
compreende do que se está falando e desconhece solenemente as conexões
existentes entre a emissão de gás carbônico de seu carro, por exemplo, e o
aumento da temperatura da Terra, a falta de chuva e a desertificação em uma
parte do mundo, os ciclones e as inundações em outra.
As comunidades podem e precisam ser convocadas a compreender este
contexto e estimuladas a exercer ativamente sua cidadania planetária.
Precisam acompanhar e influir nas discussões sobre a diferenciação de
responsabilidade de cada país no caos climático que estamos vivendo,
necessitam conhecer as vulnerabilidades do local onde vivem e se preparar
para enfrentar os impactos previstos.
Somente quando a população de todo o Planeta tiver condições de
compreender que, pela primeira vez na historia da humanidade, estamos frente
à uma ameaça capaz de comprometer a continuidade de nossa caminhada
enquanto espécie nesta Terra; somente quando nos entendermos como parte
de uma única comunidade biótica, e colocarmos os interesses da humanidade
acima dos pessoais, poderemos aprender a exercer nossa cidadania planetária
e começar a ganhar a luta para garantir a vida com qualidade no Planeta, para
todos desta e das futuras gerações.
Para tanto, o papel da sociedade civil organizada é fundamental,
diponibliizando conhecimento à mídia e às comunidades, estimulado os
cidadãos e cidadãs a serem parte da solução e não só do problema,
associando a solução deste problema global à ação local, diminuindo o
sentimento de impotência das pessoas diante da dimensão das questões
socioambientais.
Sensibilizar, informar, formar redes, promover campanhas que estimulem as
pessoas a agir não só como indivíduos mudando seus hábitos e praticas, mas
também politicamente, pressionando governos e empresas a fazer a sua parte
é dever de todos os setores da sociedade global.
Não devemos nos esquecer o que a historia já nos ensinou: governos estão
sempre atrás do povo, nunca à sua frente, tem uma imensa dificuldade em ser
pro ativos quando se trata de enfrentar lobbies dos grandes conglomerados
econômicos. As grandes empresas dificilmente sairão do business as usual e
investirão os volumosos recursos financeiros necessários para mudanças
tecnológicas se não sofrerem pressão de consumidores, investidores e
governos.
Assim, para que as dramáticas mudanças que se fazem necessárias possam
ser postas em pratica, a opinião pública mundial precisa se mobilizar para
exigir fontes energéticas mais limpas, desmatamento zero, cultivo direto,
reflorestamento, permeabilização do solo urbano, eletrodomésticos e máquinas
mais eficientes energeticamente, green buildings, transporte público de
qualidade, carros mais econômicos, elétricos ou movidos a biocombustíveis,
etc.
O Instituto Ecoar, que tem por missão contribuir para a construção de
sociedades sustentáveis, entende que é, acima de tudo, uma questão de
justiça ambiental e de ética informar à sociedade a gravidade dos fatos e como
o cotidiano o futuro de cada um e de todos poderá ser afetado pelas mudanças
de clima no Planeta.
É você quem decide as mudanças climáticas: desligue reduza, caminhe,
pense, mude, participe.
O que cada pessoa pode fazer para minimizar o problema e/ou adaptar-se
a ele?
• Dar preferência o uso de automóveis menos potentes, bem regulados,
de motores flex;
• Exercer pressão sobre os governantes para a adoção de um sistema
público de transportes eficiente e limpo, com ônibus elétricos, metrôs e
trens;
• Minimizar a produção de resíduos, passando pela coleta seletiva e
reciclagem até a pressão política pelo fim dos lixões e aterros e pelo
estímulo ao fabrico de embalagens reutilizáveis;
• Contribuir com a permeabilização dos espaços urbanos, começando
pelo quintal de sua casa ou de seu condomínio, passando pela sua
calçada até o plantio da mata ciliar do córrego ou rio mais próximo;
• Economizar no uso da água e da energia e buscar fazer parte de
organismos de pressão política pelo barateamento e uso intensivo de
fontes alternativas e limpas de energia como a eólica, solar, de
biomassa entre outras;
• Lutar pela eliminação absoluta do hábito da queima de lixo em cada
casa até o combate sistemático as queimadas e desmatamento em sua
rua, sua cidade, seu estado, seu país...
• Trocar as lâmpadas de sua casa;
• Tomar banhos mais curtos...


* Miriam Duailibi é Coordenadora Geral do Instituto ECOAR para Cidadania,
da Associação Ecoar Florestal e do Centro Ecoar de Educação para
Sustentabilidade. É professora convidada da Fundação Getulio Vargas e da
Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde ministra o curso de
Educação para Sustentabilidade.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

domingo, 28 de junho de 2009