Miriam Duailibi*
Já não existem mais dúvidas no âmbito científico e político que o Aquecimento
Global em curso, é conseqüência do extraordinário acumulo de Gases de
Efeito Estufa (gás carbônico, metano e óxido nitroso, entre outros) emitidos
pela humanidade nos últimos 150 anos. Emissão esta que é conseqüência
direta do modelo civilizatório adotado, em especial, pelos países mais
desenvolvidos.
O Aquecimento Global é cumulativo, complexo e abrangente e já causa
impactos significativos no clima, como o aumento de 0.8º Celsius na
temperatura média da Terra, o aumento no volume e na intensidade das
chuvas, os longos períodos de estiagem, a maior freqüência de furacões e
ciclones, as temperaturas extremas, entre outros fenômenos, demonstrando
que, de uma forma ou de outra, em maior ou menor escala, suas
conseqüências afetarão todos em todos os lugares.
O último relatório do IPCC (Painel Internacional para as Mudanças do Clima)
aponta, a continuar neste nível de emissões, para uma subida de temperatura
média da Terra entre 1.8º e 6 º Celsius nos próximos 50 anos. O cenário mais
otimista apresentado recomenda um aumento médio da temperatura global
abaixo dos 2º Celsius – o que implicaria em um corte de 50% nas emissões de
gases do efeito estufa até 2050 em relação aos níveis de 1990.
O relatório Stern, lançado em 2006, pelo economista chefe do governo
britânico, chama a atenção do mundo para os custos das mudanças climáticas,
apontando que se nada for feito, os prejuízos podem chegar a custar até 20%
do PIB mundial, enquanto que se medidas sérias forem tomadas desde já,
estes custos não ultrapassariam 3% do PIB mundial em 20 anos.
Em todo o Planeta cientistas e governantes debruçam-se em busca de novas
tecnologias menos emissoras ao mesmo tempo em que se trabalha na
pesquisa de alternativas de captura e armazenamento geológico de carbono
(CCS).
Os estudos têm demonstrado que, dada a gravidade e dimensão do problema,
medidas de diversas naturezas precisam ser tomadas concomitantemente.
Um dos aspectos mais preocupantes refere-se à deterioração, cada vez maior,
dos sumidouros naturais. O desmatamento, as queimadas e as técnicas
agrícolas convencionais, além de serem responsáveis por grande parte das
emissões, (representam 75% das emissões brasileiras), destroem também a
possibilidade do solo e das florestas seqüestrarem e manterem o estoque
destes gases.
No entanto, já é senso comum entre os estudiosos do assunto que somente a
mudança para tecnologias mais limpas e o aumento do seqüestro dos gases de
efeito estufa, não serão capaz de reverter o Aquecimento Global, cujo caráter
cumulativo exigiria 200 anos de emissão zero, se isto fosse possível, para que
a natureza pudesse absorver os GEE hoje existentes na atmosfera terrestre.
É, pois, necessário e urgente pensar em como os seres humanos vão adaptar
suas estruturas físicas, seu modo de produção, de locomoção, seu modo de
viver, às novas condições climáticas que já se apresentam.
Este processo, chamado de adaptabilidade, já é foco de preocupação e
estudos de pesquisadores e governos em todo o mundo. Há países que já se
preparam para enfrentar, por exemplo, a subida do nível dos mares,
adequando suas cidades, construindo diques, rotas de fuga etc. A adaptação
genética das culturas agrícolas está em pauta nos maiores centros de pesquisa
do mundo, inclusive nos brasileiros, que buscam espécies mais resistentes à
seca e ao calor, dos alimentos que formam a base de nutrição em nosso país.
Entretanto, pouco ainda tem sido discutido quanto à prevenção das ameaças à
saúde pública que o aquecimento global pode significar, com a migração de
vetores de doenças tropicais para países tradicionalmente de clima temperado;
tampouco está se debatendo como será feita a preparação dos países para
combater as doenças infecto contagiosas causadas pela contaminação dos
recursos hídricos e pelo comprometimento da rede de esgotos em caso de
enchentes de maior gravidade.
O mundo ainda não parece estar se preparando seriamente para lidar com a
temática das migrações climáticas e suas dramáticas conseqüências como o
superpovoamento, a favelização, as epidemias e a violência urbana.
O que mais nos chama a atenção é que a discussão da adaptabilidade ainda
esta restrita à academias, governos e grande empresas, especialmente nos
países centrais. Em grande parte do mundo, a maioria das pessoas sequer
compreende do que se está falando e desconhece solenemente as conexões
existentes entre a emissão de gás carbônico de seu carro, por exemplo, e o
aumento da temperatura da Terra, a falta de chuva e a desertificação em uma
parte do mundo, os ciclones e as inundações em outra.
As comunidades podem e precisam ser convocadas a compreender este
contexto e estimuladas a exercer ativamente sua cidadania planetária.
Precisam acompanhar e influir nas discussões sobre a diferenciação de
responsabilidade de cada país no caos climático que estamos vivendo,
necessitam conhecer as vulnerabilidades do local onde vivem e se preparar
para enfrentar os impactos previstos.
Somente quando a população de todo o Planeta tiver condições de
compreender que, pela primeira vez na historia da humanidade, estamos frente
à uma ameaça capaz de comprometer a continuidade de nossa caminhada
enquanto espécie nesta Terra; somente quando nos entendermos como parte
de uma única comunidade biótica, e colocarmos os interesses da humanidade
acima dos pessoais, poderemos aprender a exercer nossa cidadania planetária
e começar a ganhar a luta para garantir a vida com qualidade no Planeta, para
todos desta e das futuras gerações.
Para tanto, o papel da sociedade civil organizada é fundamental,
diponibliizando conhecimento à mídia e às comunidades, estimulado os
cidadãos e cidadãs a serem parte da solução e não só do problema,
associando a solução deste problema global à ação local, diminuindo o
sentimento de impotência das pessoas diante da dimensão das questões
socioambientais.
Sensibilizar, informar, formar redes, promover campanhas que estimulem as
pessoas a agir não só como indivíduos mudando seus hábitos e praticas, mas
também politicamente, pressionando governos e empresas a fazer a sua parte
é dever de todos os setores da sociedade global.
Não devemos nos esquecer o que a historia já nos ensinou: governos estão
sempre atrás do povo, nunca à sua frente, tem uma imensa dificuldade em ser
pro ativos quando se trata de enfrentar lobbies dos grandes conglomerados
econômicos. As grandes empresas dificilmente sairão do business as usual e
investirão os volumosos recursos financeiros necessários para mudanças
tecnológicas se não sofrerem pressão de consumidores, investidores e
governos.
Assim, para que as dramáticas mudanças que se fazem necessárias possam
ser postas em pratica, a opinião pública mundial precisa se mobilizar para
exigir fontes energéticas mais limpas, desmatamento zero, cultivo direto,
reflorestamento, permeabilização do solo urbano, eletrodomésticos e máquinas
mais eficientes energeticamente, green buildings, transporte público de
qualidade, carros mais econômicos, elétricos ou movidos a biocombustíveis,
etc.
O Instituto Ecoar, que tem por missão contribuir para a construção de
sociedades sustentáveis, entende que é, acima de tudo, uma questão de
justiça ambiental e de ética informar à sociedade a gravidade dos fatos e como
o cotidiano o futuro de cada um e de todos poderá ser afetado pelas mudanças
de clima no Planeta.
É você quem decide as mudanças climáticas: desligue reduza, caminhe,
pense, mude, participe.
O que cada pessoa pode fazer para minimizar o problema e/ou adaptar-se
a ele?
• Dar preferência o uso de automóveis menos potentes, bem regulados,
de motores flex;
• Exercer pressão sobre os governantes para a adoção de um sistema
público de transportes eficiente e limpo, com ônibus elétricos, metrôs e
trens;
• Minimizar a produção de resíduos, passando pela coleta seletiva e
reciclagem até a pressão política pelo fim dos lixões e aterros e pelo
estímulo ao fabrico de embalagens reutilizáveis;
• Contribuir com a permeabilização dos espaços urbanos, começando
pelo quintal de sua casa ou de seu condomínio, passando pela sua
calçada até o plantio da mata ciliar do córrego ou rio mais próximo;
• Economizar no uso da água e da energia e buscar fazer parte de
organismos de pressão política pelo barateamento e uso intensivo de
fontes alternativas e limpas de energia como a eólica, solar, de
biomassa entre outras;
• Lutar pela eliminação absoluta do hábito da queima de lixo em cada
casa até o combate sistemático as queimadas e desmatamento em sua
rua, sua cidade, seu estado, seu país...
• Trocar as lâmpadas de sua casa;
• Tomar banhos mais curtos...
* Miriam Duailibi é Coordenadora Geral do Instituto ECOAR para Cidadania,
da Associação Ecoar Florestal e do Centro Ecoar de Educação para
Sustentabilidade. É professora convidada da Fundação Getulio Vargas e da
Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde ministra o curso de
Educação para Sustentabilidade.
DIVERSOS SABERES e MÚLTIPLAS LEITURAS Diverse Skills & Multiple Readings
Quem sou eu
- Eni Gonçalves
- Curitiba, Paraná
- Educadora, com especialização em Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Materna, pela UFPR. Autora do livro de poemas Rosa e Romã... Ed Artes e Textos. Medalha de Mérito Fernando Amaro, em 2007, pela Câmara Municipal de Curitiba, para as mulheres que naquele ano foram destaque literário. Educator, specializing in Applied Linguistics to the Teaching of Mother Tongue, UFPR. Author of the book of poems and Pink Pomegranate by Texts Arts Ed. Fernando Amaro. Medal of Merit in 2007 by the city of Curitiba, for women that year were highlighted literary.
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